A Moda que não é mais a Moda
O artigo trata do ceticismo quanto aos modismos gerenciais que tomam conta do mundo empresarial. Não são raros os novos gurus da administração que trazem ideologias milagrosas, principalmente na área de Gestão de Recursos Humanos. Hora tratando da motivação, da satisfação no trabalho, de dinâmicas mirabolantes que tentar convencer os trabalhadores de que seu trabalho é o único caminho para a felicidade. Não levam em conta que o trabalhador é um ser pensante e complexo, cujas necessidades vão muito além do trabalho ou do que ele pode proporcionar. Sugere que as empresas deveriam deixar claros seus interesses e objetivos, que não será nenhum pecado mortal expressar a diferença hierárquica natural dentro de uma organização. Cada um dos integrantes da organização tem um objetivo ao ingressar na empresa que pode ser totalmente diferente de outro e mesmo assim contribuírem para seu sucesso e o da organização, através da diversidade. O que esperam saber é "o que ?" exatamente a empresa espera deles e de suas aptidões, com consequente retorno de informações para que saibam se estão correspondendo a estes objetivos. Importante também é que os todos os integrantes da empresa possam viver e ter relações além dela, que esta não seja sua única referência, que se possa desempenhar diversos papéis sociais que nos trarão prazer e complemento à vida.
Dilemas do Capitalismo Contemporâneo.
O artigo destaca que as mudanças sofridas no universo do trabalho ao longo do tempo, não conseguiram romper com o caráter capitalista do modo de produção e com seu complexo plano de ideológico de controle da subjetividade do trabalhador. O que se vê é o incentivo ao individualismo, aumento do desemprego, da intensificação do trabalho e em condições cada vez mais precárias. Apesar da constante transformação que ocorrem nos sistemas de trabalho, elas não trazem consigo o poder de tranformar o trabalho em prazer. Mesmo o trabalho com sofisticadas tecnologias e projetos de motivação, tem por trás uma meta a ser cumprida, que acaba por estressar os trabalhadores, resultando nas doenças laborais. As autoras citam, como resultado mais preocupante, a “corrosão do caráter”. Destaco o parágrafo abaixo como o resumo mais fácil para entender o dilema do capitalismo contemporâneo.
Para Navarro e Padilha (2006), A flexibilização, trazida pela reestruturação produtiva – que exige trabalhadores ágeis, abertos a mudanças em curto prazo, que assumam riscos continuamente e que dependam cada vez menos de leis e procedimentos formais – não causa apenas sobrecarga de trabalho para os que sobreviveram ao enxugamento dos cargos, mas acarreta grande impacto para a vida pessoal e familiar de todos os trabalhadores; sejam eles empregados ou desempregados. (...)Tragicamente, até mesmo o trabalho que pode comprometer a saúde física e psíquica passa a ser objeto de desejo.
Ao mesmo tempo em que se vive um grande momento globalização, as organizações parecem tornar-se tribos fechadas, ensimesmadas em suas relações. Parece que se bastam, não compreendendo que o trabalho e as organizações são apenas um dos caminhos para as realizações dos seus pertencentes. Até mesmo para sua permanência no mercado é necessária a participação de seus componentes em outros grupos, associações, organizações, comunidades em que existam contatos múltiplos e diversos. Trazendo novos pensamentos, conhecimentos e motivações vindas do mundo exterior e que não fazem parte deste meio organizacional. Mais uma vez se insiste na clareza de foco, abandonando as contradições de que por vezes seus colaboradores devem ser combativos, competitivos, individualistas e em um segundo momento ser colaborativo, participativo e fazer parte do um time. Haja entendimento e jogo de cintura para não perder o rumo.
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